Tem que ter uma ruptura

O poder que elege

 “É o poder econômico que elege o político”.
Pedro Delarue 

As eleições estão aí. Os inelegíveis já arrumaram os seus candidatos, os tribunais se preparam para aplicar a Lei da Ficha Limpa, os jingles depreciativos andam de rua em rua com as suas bocarras estrídulas e estúpidas.

Cabos eleitorais, coordenadores, candidatos se mobilizam para sair a coleta de votos e retornam decepcionados com uma novidade não muito nova: o voto se tornou mais caro, fazendo-os correr atrás de financiadores. Diante disso, o poder não emana do povo; mas de quem o financia.

O poder econômico provêm de fontes variadas, desde empréstimos bancários, empréstimos a agiotas, comerciantes, fazendeiros, empresários e outras. Esse poder (dinheiro) é repassado para os candidatos de cada coligação e estes, por sua vez, distribuam entre cabos eleitorais, coordenadores, candidatos com ou sem mandato. Eles delimitam as áreas de seus municípios onde a barganha e o comércio eleitoral acontece. Feito isso, aquele poder será repassado para o povo, para que os compromissos sejam honrados. E não pense o leitor desta crônica que os compromissos são somente para a dentadura, como sugere o vídeo; mas para todas as classes.

E para demonstrar que a prática do comércio e da barganha eleitoral não estar associada unicamente a dentadura, relaciono alguns pedidos feitos por eleitores neste período eleitoral quando candidatos vão pedir votos: há eleitores que pedem dinheiro para a compra dos pneus do carro, pede dinheiro para trocar um carro em outro, para habilitação, para IPVA, para cerâmica, para telhado de casa etc. e há aqueles que preferem em espécie.

A maioria dos eleitores justificam essa prática alegando que os políticos quando chegam ao poder “não fazem nada”. Com esta ideia fixa, a maioria é unânime nas conversas: “só voto se ganhar alguma coisa”, expondo uma visão aérea do Estado de Direito. É claro que o político brasileiro já percebeu isso, aproveita-se dessa situação para fazer fortuna, tornando isso uma prática hereditária.

Por isso, em minhas crônicas, não tomo partido; mas proponho uma reflexão sobre a contradição das línguas e das práticas eleitorais. Enquanto o poder econômico estiver elegendo, as portas do Executivo e do Legislativo estarão abertas para todo tipo de gente.

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