Tem que ter uma ruptura

Papagaios midiáticos


Muitas vezes me surpreendo quando ouço as vozes e observo os olhos das pessoas quando elas falam com espanto das práticas de corrupção deste país. Mas a surpresa é que as transformaram em papagaios midiáticos.

Os papagaios midiáticos são aquelas pessoas que leem, assistem jornais, assinam revistas e não comentam as práticas políticas ilícitas com crítica, mas apenas repetem recortes dessas matérias, demonstrando muitas vezes ácida revolta. É claro que é desconfortável lermos matérias onde o dinheiro do trabalhador brasileiro é desviado para outros fins. Mas o questionamento não é esse, e sim: por que larápios, gatunos, falsários se mantêm no poder?

Ser um papagaio midiático não contribui para a cidadania. Não é fazendo comentários ácidos, cheios de revolta que amenizará o problema da corrupção deste país, muito menos lendo matérias e achando que elas são verdades absolutas para serem seguidas.

Necessita este país de uma profunda reflexão sobre os vários caminhos que o voto percorre até ocupar as tribunas, compreender que não é de cima somente que as práticas ilícitas devem ser analisadas, mas de baixo; digo: nos municípios onde ocorre a mercantilização do voto.

Necessita este país não de papagaios, mas de águias como diz Boff. Necessita de três verbos: parar, pensar, contemplar e analisar com coerência toda prática imunda, decadente para que fiquemos livres de disputadas políticas de quinta categoria.



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