Tem que ter uma ruptura

Este ano é mais um ano eleitoral

Ela estava na cozinha cantarolando. A neta costurava ao som do celular na saleta. A vizinha, esbaforida, surgiu na porta. A neta, de nome Vânia, tornou-se pálida; dizendo:
— O que foi mulé? Por que você tá assim? Quer me matar de susto?
A mulher não fez arrodeio. Foi direta:
— Seu tio foi encontrado morto.
Vânia gritou, alvoroçando o coração da avó que saiu às pressas da cozinha para saber o que estava acontecendo. Ao saber da morte do filho, desmaiou.
Passada a angústia da perda, era necessário organizar o funeral. Sem que ela imaginasse, o carro funerário apontou na porta com o agente funeral para cuidar da mortalha e do ornamento. Vestido o morto, organizado o funeral; a avó de Vânia disse:
— Meu filho, depois eu passo por lá prá gente acertar tudo.
— Dona Marlene, não se preocupe. Adrial já pagou por todos os serviços.
Surpresa, ela nada disse. Depois de algumas horas Adrial chegou, cumprimentou a todos que ali se encontravam, deu pêsames aos familiares, abraçou Marlene e, em seu ouvido, sussurrou:
— Se precisar de mais alguma coisa, pode contar comigo.
Ainda convalescida, ela o agradeceu. As pessoas, compungidas, iam se aglomerando para verem o morto. Enterram-no.
Quando Marlene era vista pelas pessoas, elas perguntavam como ela estava. Depois queriam saber quem havia pago as despesas funerais. Ela batia no peito, enchia a boca e dizia:
— Foi Adriel que teve a consideração de mim dar o funeral do meu filho sem que eu pedisse. Por isso irei votar nele. Meu filho ajudava um cara aí sem ganhar nada e ele nem uma vela deu.
E respondia dessa forma a todos que lhe perguntava, tornando-se uma porta-voz do marketing político de Adriel.

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